Há um lugar onde os mais novos podem acompanhar os mais velhos numa experiência de descoberta conjunta, ainda que muito diferente. Uma no plano histórico, outra no plano das emoções. O Museu do Brinquedo Português, em Ponte de Lima, é o único do género a nível nacional.

Se o Natal é uma época exclusivamente familiar, é também a altura indicada para falar sobre algo intrinsecamente ligado à infância, os brinquedos. Não os brinquedos oferecidos nesta altura às crianças, mas sim aqueles que pertencem à malha da memória coletiva dos adultos.

A vila de Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, serve de casa para muitas dessas memórias desde junho de 2012, altura da inauguração do Museu do Brinquedo Português. Nas estantes, exibe parte do espólio de milhares de peças pertencentes a Carlos Anjos, que coleciona brinquedos desde 1980.

Instalado na Casa do Arnado, no centro da histórica vila minhota, o Museu do Brinquedo Português exibe bonecas, carros de bombeiros e carrinhos, barcos, cavalos de carrossel, rocas, jogos, etc. Tudo datado desde o início do séc. XIX até 1986. “Nós balizamos este período porque com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE) em 1986, a maioria da empresas de produção nacional foi à falência ou decaiu. O brinquedo dito português desapareceu”, afirma Ana Carneiro, coordenadora do Museu do Brinquedo Português.

“Neste estilo de brinquedo, de perfil industrial, somos únicos”, explica Ana Carneiro, mostrando as primeiras edições de jogos do Monopólio, por exemplo. “Temos brinquedos manuais, brinquedos em pasta de papel, brinquedos em folha de flandres… A maioria dos brinquedos era construída com essa folha mas como a folha era muito cara pediam às indústrias conserveiras, de atum e de salsichas, para guardarem as latas e depois reutilizavam aquele material para fabricarem brinquedos”, continua.

Carlos Anjos e Ana Carneiro consideram que o Museu do Brinquedo Português não serve apenas uma função didática para as crianças. É, antes de mais, uma “viagem no tempo” para os pais e para os avós, conforme faz sobressair o colecionador. Ana Carneiro sublinha: “Tantos pais que entram aqui e se identificam com isto e recordam, temos idosos de lares a vir visitar, chegam cá e ficam emocionados porque é o resgate das memórias, é o reviver da infância”.

Fonte e mais informações: https://www.noticiasaominuto.com/pais/919567/um-museu-para-criancas-mas-sao-os-pais-e-avos-que-viajam-no-tempo

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